Metaforicamente falando, os 30 anos são ricos. Cheios de reflexões, pensamentos, planejamentos. Me parece a parada para respirar de um lado da piscina, antes de se nadar o percurso de volta.
Metade de uma vida ? Acho que não… Aliás, prefiro acreditar que não. Penso que muito do que se escreveu sobre essa virada tinha como balizadora uma expectativa de vida de 60 anos. Hoje em dia (apesar do álcool, do tabagismo, das armas, dos carros velozes, etc), esta passou dos 70, rumo aos 80. Ainda assim, a marca de 3 décadas vividas permanece como o ponto de inflexão da parábola das vidas de muitos.
Eu me aproximo do DDD da Telemar, saindo do marco 30, e mesmo sem querer paro para fazer a minha reflexão. O que há de tão diferente neste aniversário, que não existiu por exemplo quando fiz 23 anos ? Será experiência ? Se não for, com certeza esta tem sua parcela de culpa. Será influência daqueles que já passaram por aqui e deixaram seu legado em textos, músicas, filmes ? Acho que é por aí, um pouco disso tudo. E um pouco de observação também.
Como sugeriu o Alex Maron aqui, compare sua situação hoje com a que viveram seus pais, tios, avós, etc; quando tinham a sua idade. Pense no mundo em que viviam. Pense em como se relacionavam, como se divertiam, como ganhavam a vida, como viviam. Acrescento: pense em tudo isso relacionado a você, quando tinha 21 anos. Quanto a mim, posso dizer: eu era um moleque. Achava que era gente, mas ainda era um moleque. Vivia muito mais em função do mundo do que das minhas necessidades. Ainda não tinha passado por diversas experiências que, hoje, considero essenciais para formar a pessoa que sou hoje. Era atemorizado por fantasmas que hoje para mim são como o filme “Bruxa de Blair“, uma mero joguete que não mete medo em ninguém.
Os amigos? Mais distantes, mas mais verdadeiros. Mais por “culpa” minha do que deles. Os parentes ? Os conheço melhor, e os amo mais também. O amor? Muito mais presente, mas sem perder a aura de magia e encanto que eu pensava existir (espero que assim permaneça por um bom tempo). O mundo ? Já não vivo mais a ilusão idealista de que posso mudá-lo. Sei bem o meu lugar em sua engrenagem, o que eu considero triste (algo como não mais acreditar em papai noel, quando se é criança).
E o que será desse “caminho de volta” ? Dessa 2ª metade ? Dessa meia idade ? Só vivendo para descobrir. Me perguntem daqui a 30 anos.