Penei, mas finalmente assisti o último (na verdade, primeiro) filme do morcegão. E tenho que dizer: FINALMENTE fizeram um filme à altura do personagem, não devendo nada aos últimos sucessos vindos diretamente dos quadrinhos (leia-se X-Men e Homem-Aranha).
Por que digo que é o primeiro filme ? Se você estava na Terra nos últimos 15 anos e teve nesse tempo algum contato com mídias como cinema e televisão, saberá de antemão que já fizeram 4 filmes “sérios” (leia-se “sérios entre aspas”) focando o Batman. Digo isso porque sempre tem um engraçadinho que lembra que fizeram um filme com o Batman escrachado dos anos 60, com Adam West, Burt Ward e companhia (se não me engano, esse filme é dos anos 70).
Pois bem, a franquia Batman até que não começou mal. O primeiro filme foi muito bom, com direção de Tim Burton (de quem eu particularmente gosto) e trilha sonora de Danny Elfman (vocalista do Oingo Boingo, que desfez a banda para se dedicar às trilhas sonoras, com muito sucesso), mas cometeram dois erros (ao meu ver, graves):
- Colocaram um cara baixinho e atarracado para fazer Bruce Wayne / Batman (Michael “Beetlejuice” Keaton)
- Mataram o Coringa no fim do filme, que vem a ser um dos melhores personagens dos HQs do homem morcego, e contraria a regra de que Batman não mata
Alguns anos depois, filmaram a continuação (mais uma vez dirigida por Burton e com trilha de Elfman), na minha opinião um pouco melhor que o filme anterior, contando com Danny DeVito mandando muito bem como o vilão Pinguim, e Michelle Pfeiffer como a controvertida Mulher Gato. Daí em diante, passaram a batuta para o Joel Schumacher, que transformou a franquia Batman num desfile de escola de samba, com muitas cores, luzes, gracinhas, etc; coroando a palhaçada com um uniforme GLS para Batman e Robin no último (4º) filme (que, desculpem, não tem nada a ver com o personagem). Com isso, enterraram a franquia e parou de se falar em outro filme do herói, mas não por muito tempo.
Com o sucesso dos filmes do Homem Aranha e dos X-Men (produzidos pela Fox), os executivos da Warner começaram a se perguntar porque o mesmo não aconteceu com o último filme do Batman (idem para o Superman, que também teve um 4º filme catastrófico, em 1987). Daí em diante, começaram a matutar como fariam para ressuscitar as duas franquias. Daí, surgiram as idéias mais estapafúrdias, como chamar Joel Schumacher de volta, colocar Nicolas Cage como o Superman, e por aí vai. Para o bem dos fãs, tomaram a decisão de resgatar o visual sombrio e atormentado do Batman, e depois de muitas idas e vindas contrataram Christopher Nolan (de ‘Amnésia’) para diretor e David Goyer (‘Blade: Trinity’) para roteirista. Deles (com assessoria do esclerosado Frank Miller), fizeram uma história recontando a origem do herói, focando mais o desenvolvimento do personagem, sua ânsia por vingança, seu treinamento, se baseando principalmente numa obra prima de Miller: ‘Batman: Ano Um’. O resultado: um SENHOR filme, bem dirigido, sem furos de roteiro, e que mostra o lado sinistro de um super herói que de super só tem o nome, pois é tão humano quanto todos nós (quem lê quadrinhos sabe bem disso, em especial quem já leu os gibis da Liga da Justiça onde ele, o único sem superpoderes, salva todos os outros só com inteligência e faro investigativo).
Já entrou para minha lista de melhores do ano, e espero ansiosamente pela continuação (dadas as pistas para o próximo vilão).