Eis que por força das circunstâncias, cá estou eu novamente planejando um carnaval. Dependesse de mim, tudo teria terminado naquele distante 2002, em Diamantina, mas “O homem faz planos, e Deus ri“. Tal qual naquele ano, penso nos 4 cantos do país, mas as cidades de Minas Gerais levam vantagem pela melhor relação custo-benefício. Mas Recife / Olinda começa a ganhar espaço.
Ao contrário daquela ocasião, não estou com grandes pretensões “guerreiras“. Eu definitivamente sou outra pessoa após esses 4 anos. Devo estar na tal idade da águia, after all. Só sei que a única regra deste carnaval vai ser: alegria. E depois que passar a folia, volto aos meus planos de longo prazo, com um pequeno (grande) ajuste, mas faz parte…
Os amigos, a natureza, churrasco de primeira, o rio limpinho, boas músicas, animais dóceis… Esse fim de semana foi perfeito! Agora já temos (nós, os cevadabrothers) um ponto de encontro na serra.
Em breve, fotos no flickr.
…pára e percebe que está baixando músicas demais da Shania Twain, especialmente aquelas babinhas bem melosas.
Não tenho muito o que comentar dessa aqui, pois a letra já fala praticamente o que quero dizer, mas com a poesia que me falta. Grande música de Caetano Veloso, que é aquele sujeito chato pra cacete que nasceu com o dom do verso e da melodia (nobody’s perfect).
“Oração ao Tempo” – Caetano Veloso
Es um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que eu te digo
Tempo tempo tempo tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definitivo
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Cheguei ao 4º dia. Acho que vou sobreviver a isso, after all. Cada dia é um esforço grande, um desgaste que eu não imaginava ser capaz de suportar. O ar já não pesa tanto ao inspirar e expirar. A sensação de respirar em um cilindro com apenas 20 PSI (pound square inch) foi substituída pela sensação de respirar em um cilindro comum, mas com um 2º estágio com defeito.
A receita que está funcionando é mesmo a que me pareceu mais lógica quando a casa caiu: esconder toda e qualquer referência ao relacionamento do meu campo visual (ao menos por enquanto), selecionar com MUITO CUIDADO as músicas que escuto (por exemplo: as rádios JB, Paradiso e Antena 1 estão terminantemente proibidas), ocupar todos os meus horários, conversar muito. Para isso, os amigos estão sendo uma gratíssima surpresa.
No final das contas, é viver um dia de cada vez, sem planos. Pode soar tranquilo para uns, mas não para alguém que gosta de planejar cada passo futuro. Um dia espero entender a lógica disso tudo, mas por enquanto fica a máxima pichada pela bandidage num muro da Linha Vermelha: “Pra que ter medo se o futuro é a morte?“
Uma cobra do zoológico japonês Mutsugoro Okoku, em Tóquio, ficou amiga de um hamster que foi posto na caixa onde vive o réptil para servir de comida.
O hamster Gohan (refeição, em japonês) foi colocado na caixa em outubro do ano passado como um teste, já que Aochan, a cobra, evitava o cardápio de ratos congelados e corria risco de vida por inanição.
Mas ela não quis comer o hamster Gohan, e agora os dois convivem fraternalmente sob o mesmo teto.
– Eu nunca tinha visto uma coisa dessas. Gohan às vezes sobe em Aochan para cochilar em suas costas – disse Kazuya Yamamoto, funcionário do zoológico.
[fonte: Associated Press]
Se eu tivesse que resumir a fase atual com música, diria que acabo de entrar na 2ª parte de “November Rain” (para quem conhece o clipe, é a hora que começa o pé d’água)
Nesses momentos, cada inspiração é dolorosa, cada expiração, um alívio. Vontade de fazer nada, e de fazer tudo. De andar pra frente no tempo sem passar pelo processo de decantação que está em andamento, e ao mesmo tempo de se refugiar em algum fim de semana do passado. Muita vontade de soltar o que está aqui na cabeça, mas por enquanto não aqui no blog (MS Word, temos que conversar, fazer as pazes, prometo que não te esculhambo mais). Fui decidido ao orkut para “atualizar” meu perfil, mas na hora H não consegui. Não vejo a hora de acordar…
Muito difícil nessas horas não cair no esquema “meu querido diário“, as coisas mais sérias acabam escapando.
Logo no ano em que eu estava mais distante da festa e mais próximo do feriado, ganhei a pílula vermelha e fui arrancado da Matrix faltando 1 mês para a bagunça começar. Posso morder minha língua daqui a 1 ou 2 semanas, mas o sentimento atual é:
“I’m too old for this shit”
- Roger Murtaugh, personagem de Danny Glover na série Máquina Mortífera