Não errei o título do filme, a interrogação acima é totalmente intencional. Fui ver semana passada ‘Superman: o Retorno’, e achei que não foi tão retorno assim…
Não preciso nem dizer que o ‘homem da cueca vermelha’ é um dos super heróis mais famosos da cultura pop do século XX, senão o mais famoso. Também pudera: o cara é forte pra cacete, muito rápido, voa, derrete as coisas com o olhar e ainda por cima vê através das paredes (e também dos vestidos, mas isso é outro papo). Fraqueza: se ele for exposto a fragmentos radioativos de seu planeta natal, ele murcha até morrer. Isso todo mundo sabe. Muitos inclusive devem ter visto os 4 filmes anteriores focados no herói, com a atuação perfeita de Christopher Reeve, que ficou estigmatizado com este papel. Pois quando todos pensavam que essa franquia estava morta e enterrada, surge um diretor em ascensão conhecido pela competência em retratar heróis de quadrinhos nas telonas (no caso, os X-Men) interessado em fazer “O” filme do Superman. No entanto, esta tarefa parece bastante complexa pela quantidade de material já desenvolvido para o kriptoniano, seja nos quadrinhos, seja no cinema, seja na TV. Como fazer um filme moderno sobre Superman sem contradizer nada do que já foi dito em outras mídias e ao mesmo tempo mostrando alguma coerência ? Pois Singer optou por um caminho ao meu ver sensato: dar continuidade aos longa-metragens.
Sendo assim, a premissa do filme é: o Superman num belo dia cansou de tudo isso e resolveu partir para o espaço para investigar o que aconteceu com seu planeta natal. E graças a essa viagem, ele fica 5 anos fora da Terra, e quando volta tem que arcar com as consequências de seu abandono. Parece muito criativo e interessante, não ? Só que, não sei exatamente como nem porque, Singer contou essa tal história REPETINDO a linha narrativa do primeiro filme, que conta a origem do herói. Não tem como negar: está lá a chegada dele à Terra, está lá o primeiro encontro com Lois Lane (no caso, reencontro), está lá o plano megalomaníaco de Lex Luthor, e está lá o Super lidando com essas questões enquanto exorciza seus demônios mentais. Por mais que se diga que é retorno, reencontro, re isso, re aquilo, eu achei parecido DEMAIS com o primeiro filme. Até o vôo noturno dele com Lois está lá. Tem diferenças ? Algumas, que prefiro não contar para não estragar a surpresa de quem não viu, mas uma delas muda radicalmente o destino do herói, especialmente se for seguida por quem escreve as HQs do Superman.
Lendo o texto acima, parece que não gostei do filme, o que não é verdade. O lance é que pelo plot que foi apresentado, eu esperava um pouquinho mais de originalidade, e acabou que o déja vu me incomodou um pouco. Mas nada que estrague o espetáculo.