As 5 músicas marcantes
Tal qual falei pra Lu, que me passou a bola desse ‘meme‘, pra uma pessoa que ouve de tudo um pouco e não vive sem o iPod a tiracolo, escolher SÓ 5 músicas seria uma tarefa e tanto. O que facilita é que não necessariamente as 5 marcantes são as 5 melhores, normalmente são 5 músicas emblemáticas de determinados momentos. Então como diria a bruxa do desenho do Pica-pau, lá vamos nós:
“The boy with the thorn in his side” – The Smiths : Se quero lembrar da minha pré-adolescência (leia-se quando estudava no antigo ‘ginásio’, ou seja, da 5ª a 8ª série), recorro a esta música. De cara me lembro dos tempos de colégio, de ir e vir de ônibus, das minhas passadas nas lojas de aquários (eu já era amarradão em aquários nessa época), de ligar o rádio e ouvir o boom do rock nacional (Blitz, Legião, Capital Inicial, Paralamas, Plebe Rude, Zero, entre outros) e o surgimento de expoentes do rock / pop internacional, como o próprio Smiths.
“Take the long way home” – Supertramp : Era 1989, e eu estava começando a descobrir o Supertramp. Um vizinho me emprestou o vinil do “Autobiography of Supertramp“, que eu ouvia praticamente todos os dias. Além desse, ouvia também a trilha sonora da novela “Que rei sou eu?”, com destaque para “Patience” – Guns ‘n Roses e “Orinoco flow” – Enya. Cerca de 1 semana depois, meu pai faleceu. Foi um choque até então sem precedentes na minha vida (na verdade, ainda se mantém como o grande divisor de águas, mas isso é assunto pra outro post). Lembro claramente da minha mente vazia ao voltar do cemitério, e naquele trajeto que parecia interminável, martelavam na cabeça os versos “take the long way home, take the long way home“. Na verdade, para aquela casa eu jamais voltei, considerando que meu pai não mais estaria lá (ao menos fisicamente).
“Sweetness follows” – R.E.M. : Nesta aqui, já estamos no final de 1992. Nesta época, eu tinha acabado de ser campeão carioca de estreantes no remo, e estava saindo para uma viagem de fim de ano. Fui com minha família para uma colônia de férias no Espírito Santo, e foi uma das viagens mais gostosas da minha pós-adolescência. Nesta viagem, eu ouvi bastante o “Automatic for the people” do R.E.M., mesmo aquelas músicas das quais nem passo perto hoje (“Ignoreland” e “New Orleans Instrumental No. 1″). Mas essa música, que nem é a que eu mais gosto no CD, foi a que mais me faz lembrar essa viagem, especialmente o trajeto de volta (e todas as reflexões do que se passou na viagem, e de como a vida seguiria seu caminho). Curiosamente ou não, esta música toca exatamente num momento chave de um filme que eu adoro.
“Onde você mora?” – Cidade Negra : Lançada em 1994, me leva automaticamente as lembranças de uma das primeiras paixões da minha vida. Foi um relacionamento curtinho, mas intenso, que se misturou com a emoção de ser campeão na Copa do Mundo dos EUA (na verdade, começou no dia que o Baggio chutou o título italiano por cima das traves do Taffarel). Além do namorico, a música me transporta também para outras lembranças daquela época: início da (2ª) faculdade, novos grupos de amigos, época daqueles churrascos com muita comida e muita cerveja por módicos 10 reais por pessoa, e época dos shows na praia de Ipanema e Arpoador. Lá, vi muita gente boa se apresentar, de graça e sem gangues de pitboys, arrastões, balas perdidas, nada disso. Bons tempos.
“Pedacinho do céu” – Waldir Azevedo : Essa foi a primeira música de chorinho que realmente me encantou, e graças a ela abri meus ouvidos para o estilo e também para outras facetas da música brasileira. Eu estava na casa do Gush, nos tempos em que os porres varavam (olha a margem) a madrugada, bebendo o fim de um relacionamento sério meu que tinha acabado de terminar. No meio da conversa, chegou a minha vez de trocar o CD (o anterior tinha acabado de tocar naquele instante). Peguei um CD chamado “Rio by night“, cujo nome me chamou a atenção e eu sabia que não era um CD com músicas bate-estaca. Quando começou essa música, fiquei praticamente hipnotizado com a levada do cavaquinho. Partindo dessa música, fui descobrindo melhor o chorinho e seus expoentes (Waldir Azevedo, Jacob do Bandolin, etc)
Bom, como eu imaginava, me propus a dar apenas uma idéia de como cada música me marcou, mas acabei falando (ou melhor, escrevendo) demais.
Não sei como anda a frequência do povo nos blogs (eu mesmo estou voltando a escrever sem grandes pausas nesta semana), mas assim de cabeça repasso para: Burger, Helô, PIV, Cris e Carol