A força da fossa

Estou há algum meses militando sobre música em outro blog, com muito gosto diga-se de passagem. Mais ou menos na linha como já fazia aqui (vide posts da categoria Música), com um pouco mais de blablablá. De novo MESMO, duas brincadeirinhas: o ‘Letra da semana‘ (escolho uma música e falo a respeito, seguindo ordem alfabética – acho que parei no G) e o Top5 (que segue a linha do filme Alta fidelidade de fazer listas, mas inspirado também no ‘60 melhores clipes‘ do canal VH1)

Como não fiz esforço algum de divulgação (salvo um ou outro anúncio de atualização no twitter), o ritmo de visitas e comments anda bem tranquilo. Mas foi só eu falar de dor de cotovelo (o Top5 pra ouvir na fossa) pra galera se revelar!

Sério, nessas horas a gente acaba se ancorando em músicas, filmes, citações, poemas… Tudo pra esquecer aquela pessoa miserável que nos faz sofrer, ou lembrar dela de verdade e colocar logo todo o sentimento pra fora em lágrimas. Exatamente por isso, existe todo um tratado de músicas de fossa pra embalar os corações partidos. Os pagodeiros que o digam.

Cheguei a brincar com alguns, dizendo que me especializaria em escrever sobre deprê pra conseguir maior interação com quem lê. Não é muito o meu feitio, sou mais do estilo copo d’água meio cheio. Mas se eu fosse um problogger (ptu!), viveria da dor de corno alheia.

O verdadeiro salvavidas moderno

Hoje uma das maiores invenções modernas para a sobrevida dos homens solteiros faz 50 anos. Sim, senhoras e senhores, 50 anos do MIOJO, a maior invenção japonesa do século XX ! Confira aqui a notícia, que traz também algumas receitas pra incrementar o seu quebragalho

Carta do mestre

Estou há um tempão querendo postar mais coisas sobre mergulho, meu envolvimento cada vez maior com isso que considero mais um estilo de vida do que propriamente um esporte ou mera atividade. Até porque não cabe o termo ‘atividade ao ar livre’, no máximo ‘atividade à agua livre’ :)

Pensei pacas no que escrever, mas aí lembrei que um grande sábio já havia escrito tudo que eu queria dizer. Eis a ‘Carta aos mergulhadores’, escrita por Jacques Yves Cousteau:

“Quem somos nós? Como todos os seres humanos, nascemos no coração marrom da mãe-terra.
Temos braços e pernas e respiramos oxigênio que entra em pequenos pulmões. Passamos grande parte da nossa vida na posição vertical que nos dá uma maior autonomia e um maior conforto na terra. Vistos superficialmente, somos iguais a todos os seres humanos. Mas
analisando um pouco mais fundo, alguma coisa nos faz diferente.

Nascemos com os olhos acostumados ao azul das águas. Temos um corpo que anseia pelo abraço do mar. E um pulmão que aceita grandes privações de ar apenas para prolongar nossa vida no mundo azul. Somos homens e mulheres de espírito inquieto. Buscamos na nossa vida
mais do que nos foi dado. Passamos por grandes provas para aproximar-nos dos peixes. Transformamos nossos pés em grandes nadadeiras, seguramos o calor do nosso corpo com peles falsas e chegamos até a levar um novo pulmão em nossas costas.

E tudo isso para quê ? Para podermos satisfazer uma paixão. Um sonho. Porque nós, algum dia, de alguma maneira, fomos apresentados a um mundo novo. Um mundo de silêncio, de calma, de mistério, de respeito e de amizade. E esta calma e este silêncio nos fizeram
esquecer da bagunça e da agitação do nosso mundo natal.

O mistério envolveu nosso coração sedento de aventura. O respeito que aprendemos a ter pelos verdadeiros habitantes desse mundo. Respeito esse que, só depois de ter sentido a inocência de um peixe, a inteligência de um golfinho, a majestade de uma baleia ou
mesmo a força de um tubarão, podemos compreender.

E a amizade ? Quando vamos até o fundo do mar, descobrimos que ali jamais poderíamos viver sozinhos. Então levamos mais alguém. E esta pessoa, chamada de dupla, companheiro ou simplesmente amigo, passa a ser importante para nós. Porque além de poder salvar nossa
vida, passa a compartilhar tudo o que vimos, tudo o que sentimos. E de duplas, passamos a ter equipes. E estas equipes passam a ser cada vez mais unidas.

E assim entendemos que somos todos velhos amigos, mesmo que não nos conheçamos. E esse elo que nos une é maior do que todos os outros que já encontramos. E isso faz de nós mais do que amigos, faz de nós mais do que irmãos. Faz de nós… mergulhadores.”