Dizer não é dizer sim
Apesar de não ser ainda pai (e boa parte dos meus amigos indo para o 2º filho, mas isso é só um detalhe), minha experiência de tio-padrinho-sênior me dá uma certa margem para falar de educação.
Não existe coisa mais irritante (especialmente para solteiros, na minha opinião) do que estar num ambiente público com crianças mal educadas. Claro que existem muitas variáveis para turbinar a complexidade do assunto, mas mesmo com todas essas existe um grande gargalo em todas as situações: o consentimento dos pais.
Não sei se fruto do regime militar, da pindaíba dos anos 80, do sentimentalismo latino ou de alguma outra razão que me escapa agora, mas a verdade é que a maioria dos pais com quem tive contato tem uma ENORME dificuldade de dizer não aos filhos.
Não para pedidos banais, claro. Falo daquelas situações constrangedoras, onde a criança está com um mega beiço, abrindo o berreiro em público e pedindo algo que parece tão inofensivo que não custa nada deixar. Mas custa. Uma criança (mal) acostumada com o ’sim’ acaba pagando isso de forma muito cara mais pra frente. Os pais tem compaixão, mas o mundo aí fora não tem um pingo sequer. E é para lá que todas as crianças vão, depois de deixarem de ser crianças.
Dizer não tem um toque de arte. Os pais normalmente ficam cheios de dedos para fazê-lo, com medo de se tornarem o grande vilão da vida de seus filhos. Mas mesmo não sendo ainda um pai de carteirinha, acredito que sempre há um jeito de negar os caprichos dos filhos de forma incontestável, mas sem posar de padrasto (leia-se a figura clássica dos padrastos de contos de fadas). Antes de tudo, o não tem que ser um ato de amor aos filhos, e uma aposta no futuro deles. Mas só vou saber quando chegar a minha vez.
5 Comments to “Dizer não é dizer sim”
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By Lu, August 3, 2009 @ 1:35 pm
Edu, eu tenho a mesma sensação que você. Adoro criança, não tenho filhos, mas tenho 4 afilhados dos quais tenho orgulho da educação que têm.
Por outro lado tenho amigas que tem filhos e que simplesmente desconhecem a palavra “não”, o resultado é bem triste, as pessoas simplesmente fogem delas. Uma delas argumenta que foi criada com uma educação muito rígida, mas ai na hora de educar os filhos erra na mão e é omissa. Complicado isso, aliás as pessoas às vezes não conseguem achar o meio termo, né ?
By Flavinha, August 3, 2009 @ 5:47 pm
Eu tenho 2 pimpolhas, vc sabe.. mas tento educar sim, sem deixar de dar o mais importante que é amor.. digo Não, coloco de castigo desde que tinham 1 ano e meio, sou dura qdo preciso… elas sabem pedir desculpas, por favor, obrigada, isso até pra pedir água.. vc ainda não é um “pai de carteirinha” mas tenho certeza que vai saber educar qdo chegar a sua vez..
bjs
By Querida & Ordinária, August 7, 2009 @ 6:21 pm
Dudu, meu amigo…
Já estive de Saia, virei Moça… agora sou eu, uma Ordinária, mas uma eterna fã do REM. Risos.
Beijos, e saudade
By Bianca, August 7, 2009 @ 9:14 pm
quando eles (os pais) compreenderem que o não é estruturante… o mundo será um lugar melhor =)
By Edu Starling, August 11, 2009 @ 1:55 pm
Bom, espero que eu saiba mesmo… Como não está em meus planos educar sozinho, vamos ver como vai ser a futura mãe deles
No mais, li uma frase dia desses que ilustra bem uma das minhas idéias: “Todo mundo pensa em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”