Voltando às origens – Parte I

tn_p1000745Quase todas as pessoas que conheço que tem um sobrenome não obviamente de origem portuguesa tem alguma história de família pra contar. Seja a do avô italiano que lutou na 1ª Guerra Mundial, seja dos pais e tios foragidos de campos de concentração, ou mesmo do bisavô holandês que veio ao Brasil por questões comerciais, se apaixonou pelo povo e pelo clima e foi ficando. Existem diversas histórias dessas, ao meu ver muito interessantes em sua maioria. No meu caso não é diferente: meu sobrenome veio de um inglês que participou da escolta da família real portuguesa que fugia de Napoleão no século XIX, e que no final das contas se instalou no Brasil, conheceu uma brasileira e… tamos aí.

Apesar disso, eu nunca tive grande compulsão por conhecer a Inglaterra. Pelo menos não claramente. Mas ao mesmo tempo, fui me identificando ao longo da vida com vários traços culturais britânicos sem me dar conta, como por exemplo: o remo, o futebol, os pubs (pelo conjunto da obra), o humor sutil característico de lá e a simpatia pela comida oriental (especialmente indiana). Até que finalmente caiu a ficha e resolvi conhecer Londres, pra começar. E pelos depoimentos extremados dos meus amigos, vi que não caberia meio termo: ou odiaria ou adoraria. Pelos traços culturais que falei acima, não tinha muitas dúvidas de qual extremo eu ocuparia.

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No entanto, chegando lá o sentimento foi um pouco mais forte que isso. Fato: lá eu me senti MUITO em casa. Claro, não tem minha querida Lagoa, nem o posto 10 de Ipanema, nem nada parecido com o Bangalafumenga. Mas a diversidade cultural não me era assim tão distante. Nos lugares lotados de gente (a.k.a. metrô) eu não era um gigante na multidão, as pessoas tinham mais ou menos a minha estatura. As rádios tocando muitas músicas que eu adoro, e nenhuma loja tocando o último CD de pagode das paradas (se eu citar alguma banda, vou ter problemas com o Google :D ). Ao contrário: tocava o novo do Muse.

tn_p1000680Claro, eu era turista, e tudo era novidade. Tudo funcionava. Tudo muito parecido com os filmes dirigidos pelo Richard Curtis, que eu gosto bastante. Muito me lembrou o blog da Biba (que eu lia bastante há alguns anos). Ao caminhar pela Oxford Street, passar pela Piccadilly Circus, seguir a rua e chegar no Green Park, eu me senti realmente parte daquilo ali. O sotaque soava familiar, e teimava em se alojar na minha fala (ok, isso devo aos tempos de Cultura Inglesa). E no St James Park, de novo a sensação de pertencimento. A placa no parque dá uma dica sugestiva (o passarinho azul escuro à esquerda do meu polegar é um Starling).

Saí de lá com o coração dividido. Uma parte de mim estava doida pra voltar para o meu querido Rio de Janeiro, outra estava se sentindo arrancada de um lugar assustadoramente familiar. Pensei, pensei, pensei, e a única conclusão que cheguei: preciso voltar lá e ficar mais tempo pra entender. :)

3 Comments to “Voltando às origens – Parte I”

  1. By Luciano, February 23, 2010 @ 3:52 pm

    Fala cara!! Nem sabia que vc tinha blog, Londres é do cacete mesmo, espero ficar mais tempo também da próxima vez.

    To te adicionando no Bloglines e no Brief.

    Keep in touch and “mind tha gap” srsrsrs

    Abs!

  2. By maria, February 23, 2010 @ 4:20 pm

    Legal o relato. Não fazia idéia de que Starling era de origem inglesa (o que é até meio óbvio), mas perdoa porque eu vivo rodeada de Schmidts e Schimitts, Winters, Voigts, e um ou outro Morelli, e sempre acho que ascendência, fora a muito óbvia portuguesa, é sempre alemã ou italiana :)

    E realmente, quanto a esse lance da música, euzinha sempre tive esta impressão: em Londres só deve tocar música boa o tempo todo!

    E também, por falar em Starling, tenho uma pergunta, mas vou mandar pro formspring, tá?

  3. By Fabio Albuquerque, February 23, 2010 @ 9:25 pm

    Estou com ódio de você. Amanhã tem show do MASTODON em Londres.

    Chalk Farm Rd
    London
    NW1 8EH

    Vai nesta porra por mim, hahahahahahahhaa

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